Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Forbidden




Nunca te vejo

Às vezes pergunto-me se alguma vez te vi… Pergunto-me se não serão sonhos estas recordações longínquas que tenho de ti.

Parece-me… que nunca te senti. Que nunca te vi. Que nunca te toquei, cheirei, provei.

Parece-me que te inventei.

É isso. És um desejo feito carne. Uma carne que toquei, provei, beijei. Que senti, lambi… que se fundiu na minha e se fez minha.

É isso. És um desejo feito carne que arde em mim. Sempre que me lembro de ti. Se é que algum dia te conheci… Se é que te vi… Não me lembro se te ouvi! Mas sei que tivemos intermináveis diálogos de silêncio e gemidos. Falámos muito. De amor, de sexo, de guerra e paz, de profundidades e coisas banais. Falámos pois. Lembro-me da tua voz! Ou será que a inventei? Que a criei? Que a desejei tão fortemente que se materializou em ti?

Nunca te vejo… Acho que nunca te vi. Começo a duvidar da própria existência de ti no mundo. Provavelmente só existes em mim. Porque nasceste e viveste em mim. E em mim morreste. Será que já morreste? Sim amor, morreste! Amor que nunca foi… Desejo que se materializou em carne – a minha e a tua! Fantasia que jorrou em torrentes de mãos e beijos e línguas e sonhos e desejos e olhares…

Nunca te vejo. Há quanto tempo não te vejo…

Acho que nunca te vi. Mas se exististe e morreste, sabe que vives em mim. Porque és meu pecado, meu segredo, meu pedaço oculto. Não vives na minha vida, mas não vivo sem a lembrança de ti.

Vives nas histórias que não vivi.

sinto-me:
música: Forbidden Love, MADONNA

Terça-feira, 4 de Março de 2008

Olhos cor de sonho



Adormeceu, mil-e-uma-voltas-na-cama depois.
Sonhou, com os olhos verdes, com a voz cavada e forte, em tom sussurrante, bichanando-lhe desejos proibidos ao ouvido.
Sonhou, como nunca, com mãos em todo o sítio, beijos perdidos em peles improváveis, com corpos nus, com o seu corpo nu a ser percorrido por um outro corpo que não conhecia, mas que desejava consumir, avidamente, desesperadamente.
Sonhou com ele. O proibido, o desconhecido, o não-sei-quem-é mas quero saber...
Acordou, suada e ofegante... perturbada.

"Tiveste um pesadelo? Sossega..."

E beijaram-na os olhos castanhos, num abraço que só pode ser dado por quem dorme e sonha sonhos inocentes.

E beijada foi aquela boca que é só daqueles olhos castanhos. Mas que em sonhos... não é de ninguém senão de quem ela deseja ter.

E adormeceram...

Os olhos castanhos sonharam com ela e ela... ela sonhou com olhos de todas as cores.
música: The Private Song

Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Espelho



Naquele dia C espalhou várias hipóteses de toillete
pela cama. Calça preta, camisola vermelha, calça preta, camisola verde esmeralda, calça de ganga escura com top amarelo torrado, calça de ganga clara com top roxo - as cores da moda...
C é vaidosa, sempre foi. Sempre teve muito cuidado com a escolha das toilletes. Quando vai às compras faz questão de pensar muito bem no que já tem no armário para poder fazer as conjugações que lhe parecem bem - roupa, mala, sapatos, acessórios - tudo num conjunto harmonioso.

Além de vaidosa, C sabia que era bonita. Toda a vida lho disseram. Sempre lhe gabaram a expressividade, a forma e a grandeza do olhar castanho. A maneira como os seus escuros cabelos encaracolam, desordenados e rebeldes. Os lábios grandes, carnudos, os seios generosos, as pernas longas.

Mas naquele dia, C olhou para a parafernália de roupa espalhada na cama e nada lhe pareceu seu. Tudo tão grande... as calças pareciam enormes sacas, as camisolas retalhos de tendas de campanha. Poderia ser aquela a sua roupa?

Vestiu-se já à pressa, sacudindo o estranho pensamento da mente, arranjou-se, terminado com umas golfadas do seu indispensável "Boss Intense". Meteu-se no carro, cantarolou a caminho do trabalho. Chegou e pôs-se à conversa com as colegas.

«Sabes C, és a gordinha mais elegante que conheço...»

C estremeceu. "Gordinha? Eu?" Soltou uma pequena gargalhada confiante, e disse «Gordinha elegante!? Pois!» E voltou ao trabalho, com vontade de ser engolida por uma súbita criatura das profundezas.

Mas porque é que lhe diziam que era gorda? Gordinha? Cheinha? Ela nunca se viu assim... perdia longos minutos ao espelho e nada via a não ser o seu escultural corpo no qual as suas roupas tão bem assentavam, o seu escultural corpo que já havia enlouquecido vários homens, o seu escultural corpo que alimentava os desejos do homem amado.

Chegou a casa e olhou-se ao espelho.
«Espelho meu, espelho meu... Quem sou eu?»
E viu-se, pela primeira vez.
Do alto do seu metro e setenta.
E dos seus noventa quilos.
«Serei eu apenas esta? Este corpo? Este alguém que a este corpo não pertence? Serei eu quem nunca vi? Imaginei-me toda a vida, não me VI?!?»

Do outro lado do espelho, a sua imagem falou-lhe.
«Olá... Pensei que nunca mais me vias! Gostas do que vês?»
Numa fúria C partiu o espelho, indiferente à ameaça latente de mil e um anos de azar.

E nunca mais se viu ao espelho.
música: Espelho Meu, Papas na Língua

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Mad About You...



Caminhava sem destino pelas ruas, procurando resolver o louco emaranhado de pensamentos que não a deixavam ver. Passou por avenidas, ruas, ruelas, andou em contra mão, parou. Na praia, naquela praia, sempre aquela praia...

«Não percebo, não entendo, é inexplicável, digam-me porquê?!?»
Soltou este grito desesperado, mas apenas obteve como resposta o choro das gaivotas e a rebentação furiosa das ondas contra a barra.

Poderá alguém viver apenas da loucura da paixão? Era este o seu pensamento, aquele que confundia todos os outros e entrava em conflito com todos os desejos e sonhos que foi construindo, desde menina. Desejava o politicamente incorrecto. O vermelho carmim, quando a sua vida devia ser de um branco cristalino. Odiava-o por ter entrado sem autorização na sua vida e por tê-la transformado em alguém que ela não conhecia e não queria ser.
Odiava-o porque tinha descoberto os seus caminhos, o seus segredos... Odiava-o porque sabia que agora mais ninguém saberia tocá-la como ele, viessem 10, 100, 1000 homens depois dele.
Odiava-o porque só ele sabia como fazê-la vibrar, enlouquecer, voar, feliz, sem medo das consequências e do que os outros pensam...

E de repente caiu a noite e ela já só conseguia ver a intermitência do farol. Já tinham passado horas desde que fugira dele, dos braços dele, dos lábios dele, do corpo dele e do que ele significava.
Tinha frio, estava gelada, quase inerte quando ele chegou.
«Sabia que te encontrava aqui...»
«Sabes... é que sou doida por ti...
...não posso fugir.»
sinto-me:
música: Mad About You, Hooverphonic
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Quero um Lugar

Com a mão tremendo e o coração dormente, escrevi-te.

Ainda que não o saibas, quero-te. Quero ver-te mais uma vez. Quero olhar nos teus olhos e ver o brilho dos meus reflectido nos teus. Quero o encontro. A simbiose perfeita das nossas almas. Quero sentir que me sentes como te sinto. Quero que sejas eu e ser tu. Quero sentir as tuas dores. Quero lamber as tuas feridas. Quero levar-te e deixar-me levar. Para longe. Para um lugar só nosso, onde a luz incida suavemente para não magoar. Um lugar onde a minha voz não seja mais do que um eco da tua. Um lugar onde podemos estar. Sós, abraçados, despidos não só de roupa, mas também de tudo quanto não somos nós. Um lugar em que as almas se toquem. Um lugar onde possam brincar felizes. Um lugar onde não sentimos fome, nem frio, nem necessidade de algo mais do que o essencial - o outro.


Com carinho,

another left hand

sinto-me:
música: I fell in love with a dead boy - Antony and th Johnsons
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Rabiscado por Another Left Hand às 20:07
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Dorme...


Vai...
Dorme... dorme meu dia.
Deixa-me chorar esta noite.
Que quero tanto chorar...
Deixa-me chorar este meu lado esquerdo
Este meu lado secreto
Este meu lado que me faz feliz
Este meu lado que hoje dói...

Deixa-me chorar amor...
Desculpa...
Vai dormir...

Vou ali fora
Ao frio
Olhar o fumo do cigarro subir em espirais
Vou subir com ele...
Vou voar!!!

Flutuar por este meu lado
Tão secreto...
Mas sem o qual não vivo.

Mas vou viver.

Um dia deixarei de amar a noite.
Deixarei de amar o esquerdo.
Deixarei de querer o intangível.

Um dia...
Serei feliz.
Só contigo.

Mas hoje não.
Deixa-me chorar.

Mão Esquerda
sinto-me:
música: I fell in love with a dead boy - Antony and th Johnsons
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Duas Mãos Esquerdas


Duas mulheres...
Quatro mãos...
Todo um mundo secreto que as une, mas que mais ninguém, senão elas, poderia compreender.

Viagens a quatro mãos pelo lado esquerdo da nossa vida...

Bem vindos.
sinto-me:
música: É preciso ter calma - Pedro Abrunhosa

Rabiscado por Mão Esquerda às 00:17
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